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As
barcaças que singravam o Una até alcançarem o mar, na Várzea, foram um
meio de transporte não apenas de cargas, mas de passageiros, antigamente
utilizado pelo povo de Barreiros. Eram muitas as barcaças que, com seus
cascos coloridos e suas velas brancas subiam e desciam o rio, atracando
no porto da Estrada Nova, nas marés baixas e no Porto do Mercado quando,
na preamar, podiam subir o rio. Quando os ventos eram propícios, uma viagem
de barcaça entre Barreiros e Recife podia ser feita em dois dias, se o
barco fosse bom veleiro, mas com ventos contrários até oito dias durava
a travessia.
O
relato acima, extraído do livro Breve História do Município de Barreiros,
de Ruy de Ayres Bello, que conhecia a região como poucos, mostra a importância
do Rio Una já de longa data.
Após percorrer cerca de 200 km desde sua nascente na Serra da Boa Vista,
no município de Capoeiras, em Pernambuco, passando por 32 municípios,
o Una chega à Várzea do Una,
no município de São José da Coroa Grande.
Neste passeio, navegamos cerca de 7,5 km, desde a ponte na PE-60, na entrada
de Barreiros, até a primitiva e agradável vila da Várzea do Una. Uma distância
pequena, se comparada com o longo curso do rio, mas o suficiente para
que se tenha uma idéia do seu imenso potencial turístico.
IMAGENS
- Equipamentos fotográficos em mãos ansiosas por deslumbrantes clics,
os passageiros ouvem atentos as informações de Mestre Biu, barqueiro de
grande experiência. Já na saída, enquanto o pequeno barco que toma emprestado
o nome do rio desliza suavemente nas águas verdes, um bando de socós surge
de repente e pousa nas pedras próximas. Começa aí uma sessão de fotos
que se estenderá por todo o trajeto, onde belas paisagens se sucedem revelando
agradáveis surpresas.
As paradas nas margens são irresistíveis. Aqui e ali mangueiras e cajueiros,
para citar apenas algumas fruteiras, fazem a alegria dos visitantes. Para
colher certas frutas nem é necessário descer do barco, como o ingá, cuja
árvore debruça-se sobre o rio para alimentar, inclusive, algumas espécies
de peixes.
A
Pedra do Sapo, a Pedra Rachada e
a Pedra Alta são algumas das
atrações do passeio.
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FAUNA
- Além do já citado socó, outras espécies de pássaros podem ser vistas.
Ao longo do passeio, garças, maçaricos e tamatiões dão o ar da sua graça.
Tem também o curioso 3 cocos, assim chamado por emitir um som parecido
com esta expressão.
Debaixo da linha dágua a diversidade também é considerável. Entre
outras espécies pode-se encontrar tainha, curimã, camorim, carapeba, bagre
barba roxa e saúna. Na lama dos manguezais, aratús mostram seus cascos
coloridos.
O
POVO - A gente ribeirinha, como
em toda a região, é simpática e sempre aberta a uma prosa. Vale a pena
parar o barco para conversar um pouco e conhecer o modo de viver e ser
dessa gente simples e hospitaleira que habita a região. Pescador com bom
papo é o que não falta. Como seu Catita, que sempre ativo e bem-humorado,
tem boas histórias para contar.
PAISAGEM
- A vegetação variada em espécies e tons exalta a exuberância da obra
divina. A bonita flor do balseiro é presença constante durante grande
parte do trajeto. Nas pedras, as bromélias se destacam pela quantidade
e tamanhos. Em outros lugares a predominância é de fechados bambuzais,
que contribuem com sua agradável e poética sombra para o relax dos visitantes.
Entre as muitas pedras, tanto na margem como dentro do rio, algumas se
destacam e são conhecidas de acordo com suas características. A Pedra
do Sapo, por exemplo, é a cara do batráquio e a Pedra Alta é um imponente
paredão adornado por belas bromélias.
VÁRZEA
DO UNA
- Após cerca de duas horas e meia de viagem, a chegada em Várzea do Una
é precedida por uma parada estratégica na foz do rio para deliciosos e
refrescantes mergulhos, por que ninguém é de ferro. Em tempo, não se pode
esquecer de levar um isopor com bebidas geladas, pois o sol é implacável.
Pescador
preparando armadilha, bromélias embelezando ainda mais a
paisagem e seu Catita na pescaria.
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SERVIÇO
- Para curtir este passeio ecológico basta combinar com barqueiros de
Várzea do Una. A maior parte é experiente e conhece bem a região. Como
o Mestre Biu, do barco Rio Una, que pode ser encontrado no bar A Indomada.
DADOS
GERAIS DO RIO UNA
Situação
· O Rio Una tem sua bacia situada nas regiões do Vale do
Ipojuca, Agreste Meridional e Mata Sul, entre as coordenadas 80 15´
e 80 50´S e 0350 05´e 0360 45´W.
Nascente
e Afluentes
· Tem a nascente na serra da Boa Vista no município de Capoeiras
a cerca de 900 metros de altitude e banha 32 municípios por cerca
de 200 km de extensão, até a foz em Várzea do Una.
· Seus afluentes são o Riacho Riachão, Rio Maracaju,
Riacho Gravatá, Riacho Comevô, Rio Preto, Riacho Camocim
Mirim e o Rio José da Costa na margem esquerda, enquanto que na
margem direita tem o Rio Jacuípe, Rio Pirangi, Rio da Chata, Riacho
Olho d´água, Riacho das pombas, Riacho Quatis, Riacho Salobro
e o Rio Panelas.
· Somente na zona da mata, mais pecisamente em Catende, o rio torna-se
perene.
Indústrias
· Muitas usinas de açúcar e fábricas foram
instaladas na bacia do Rio Una, tais como: Destilaria São Luiz,
Usina Central Barreiros, Usina Santa Terezinha, Usina Catende, Usina Colônia,
Usina Pumaty, Usina Santo André, Usina treze de Maio.
Monitoração
· Em geral as medições de DBO, OD e PH estão
dentro do limite da classe, entretanto o de coliformes fecais ultrapassam
em muito os valores permitidos, chegando, conforme dados históricos
a 160.000/100ml ( à jusante de Palmares e Barreiros e em 1997
Os índices pluviométricos variam de 600 a 1200 e a temperatura
em torno de 24 a 26 0C.
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