RIO UNA

Bacia Hidrográfica

O Rio Una é considerado um dos mais importantes do estado de Pernambuco. Tem a nascente na serra da Boa Vista no município de Capoeiras-PE, a cerca de 900 metros de altitude e chega a foz, nas vilas de Várzea do Una e Abreu do Una, no município de São José da Coroa Grande, depois de percorrer 255 km.
Seus principais afluentes são o Rio Bom Retiro, Riacho Riachão, Riacho Maracajá, Rio da Prata, Rio Camevô e Rio Preto, na margem esquerda, enquanto que na margem direita estão os rios Riacho Quatis, Rio da Chata, Rio Pirangi, Rio Jacuípe e Rio Carimã. Observa-se que somente na zona da mata o rio torna-se perene.
A bacia abrange 42 municípios, localizados no vale do Ipojuca, Agreste Meridional e Mata Sul, representando uma população total de 553.259 habitantes, sendo 318.214 na área urbana e 237.045 na área rural ( dados IBGE 2001 ). Está situada entre as coordenadas 036044´10”W e 035007´48”W e 08055´28”S e 08017´14”S, contemplando uma área de 6.736 km2, dos quais 6.270,44 km2 no Estado de Pernambuco, sendo 19,44 km2 em São José da Coroa Grande – PE e 188,80 em Barreiros – PE, tendo como limite ao norte a bacia do Rio Ipojuca e ao sul a bacia do Rio Mundaú, no Estado de Alagoas.
Faz parte do quinto grupo de bacias de pequenos rios lotorâneos ( GL5 ), al leste o Oceano Atlântico e ao oeste as bacias dos rios Ipojuca e Ipanema.
As principais utilizações do solo estão na ocupação urbana e industrial, policultura, cultivo da cana-de-açúcar e áreas de manguezais e mata atlântica.
O uso da água na área da bacia hidrográfica é destinado entre outras coisas para o abastecimento público, contemplando os reservatórios do Prata, Gurjão, Poço da Areia, Caianinha, Altinho, Bonito, Calçado, Panelas e São Caetano.
A bacia hidrográfica do Rio Una é formada por terraços, com altitudes médias que se elevam de acordo com a região, sendo que o leito e vertentes são representados litologicamente por rochas metamórficas e magmáticas do período pré-cambiano indiviso, enquanto que predominam na bacia unidades geológicas migmatitos e granitos / granodioritos, além de sienitos da mesma idade.
A jusante de Barreiros, em direção à desembocadura, estão os terraços litorâneos, com altitude média de 2 a 40 m. Entre Barreiros e Água Preta a altitude se eleva para faixas de 40 a150 metros; de Água Preta a Catende de 150 a 500 metros; de Catende a Cupira de 500 a 600 metros e próximo de São Bento do Una a 600 a 800 metros.

Modificações Antrópicas

Desde a nascente até o município de Catende o Rio Una não é perene, sendo transformado em um depósito de lixo urbano e coletor dos efluentes domésticos e industriais em estado bruto como matadouros, curtumes, usinas e destilarias, contribuindo significativamente para a degradação ambiental e a proliferação de pragas e doenças nas comunidades ribeirinhas.
Em parte do seu curso, as margens são tomadas por aterros e construções, reduzindo a calha e destruindo as matas ciliares, condição considerada crítica nas áreas urbanas das cidades, onde a calha sofre estrangulamento e as margens são pavimentadas, reduzindo a área de drenagem para o solo, causando com certa freqüência transbordamentos em períodos de grande precipitação pluviométrica.
Do seu leito seco até o município de Catende são retiradas pedras e quando da condição perene, em especial à jusante da cidade de Barreiros, areia para utilizações em pavimentos e construções diversas.
Tais condições, que são comuns a vários rios do país, são causadoras de impactos ambientais de variadas intensidades, mas um dos impactos de maior gravidade se dá quando existem modificações no estuário, considerada a parte mais sensível de uma bacia hidrográfica, tal como está ocorrendo no estuário do Rio Una, em maiores detalhes adiante.

Manguezais e Estuários

Ambiente Estuarino

A área estuarina, que se situa entre a Praia do Porto, no município dos Barreiros - PE, e próximo do riacho Meireles, já na zona urbana da cidade de São José da Coroa Grande - PE, é uma reserva biológica do Estado de Pernambuco e considerada como Área de Proteção Ambiental, de acordo com a lei estadual 9.931, de 11 de dezembro de 1986. Também está inserida na Área de Proteção Ambiental da Costa dos Corais, a maior Unidade de Conservação marinha do Brasil, com 413.563 hectares, instituída em 23 de outubro de 1997 e considerada a mais importante formação coralínea do Oceano Atlântico Sul, com cerca de 7.000 anos em formação.
A vista aérea do estuário permite um incomparável deslumbramento com a beleza de um rico ecossistema, que abrange aproximadamente 15km2, significando cerca de 5,5% da área coberta por manguezais do estado de Pernambuco, estimada em 270 km2, onde estão contidas ilhotas fluviais e uma faixa de areia em forma de istmo com aproximadamente 2.000 metros de extensão e largura de 40 a 80 metros, com vegetação de restinga, que serve de divisa entre o Rio Una e o Oceano Atlântico, onde fica a Praia de Várzea do Una.
Considerado como um berçário da vida marinha, o estuário serve de sustento para inúmeras famílias de pescadores e deleite para turistas, pelo ambiente natural e exótico.
Nele estão inseridos os bosques de mangues, classificados de acordo com a localização em ribeirinho e ilhota, além de mangue-de-bacia e mangue-seco, mais distantes do estuário, onde predominam árvores de pequeno porte e solo com alta salinidade, contíguos aos apicuns, muito comuns entre as vilas de Abreu do Una e Várzea do Una.
O manguezal funciona como filtro e provedor de nutrientes para as espécies, que se alimentam filtrando da água fragmentos de detritos vegetais e de microrganismos, que decompõem a lignina dos troncos, se constituindo em um dos ambientes mais produtivos.
Comunidades de algas, principalmente verde e marrom, crescem sobre as raízes que estão na faixa das marés, observando-se ainda que a decomposição de folhas do manguezal por bactérias e fungos é a base da cadeia alimentar.
A formação de um manguezal sofre influência de vários fatores, dentre os quais: temperatura, precipitação, evaporação, salinidade, topografia, amplitude de marés, freqüência de inundações, ventos, insolação e aporte de sedimentos.
São funções, produtos e atributos de maior representatividade em freqüência e importância, associados à zona estuarina:

• Águas abrigadas e prevenção de erosão
• Retenção e fonte de nutrientes e exportação de biomassa
• Via de transportes e de recreação e turismo
• Recursos pesqueiros e florestais
• Diversidade biológica e paisagem

A situação da gestão estuarina do Rio Una pode ser considerada como nível médio de criticidade, em virtude de:

• Contemplar duas Unidades de Conservação;
• Ainda não estar comprometido, mas com alto potencial de comprometimento;
• Insuficiente capacidade de gestão municipal;
• Ser um rio que serve de limite de dois municípios

Registra-se ainda que o tanino, extraído da casca do mangue, teve grande serventia até bem pouco tempo na comunidade local, para proporcionar maior resistência ao barro utilizado na fabricação de utensílios, dando-lhe também uma aparência avermelhada.

Observa-se ainda que:

• Para estudar as condições e propor soluções para problemas existentes, foi criado o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Una, em 25 de novembro de 2002.
• O nível de ameaças e conflito de uso é alto, em decorrência de aforamento de áreas de restinga e manguezais por particular, agravado por extrapolação de posse de banco de areia que se formou no leito do rio e impedimento do retorno ao seu curso normal.

Condições Climáticas

O clima da região é quente, tropical chuvoso e de monção, com temperatura média de 240C e umidade relativa média de 80%, sendo maior nos meses de maio e junho e menor no período de outubro a dezembro. Registra-se uma insolação média anual de 2.800 h, sendo maior no período de novembro a janeiro e menor de maio a julho.
No período de janeiro a setembro predominam os ventos sopram de sudeste e de outubro a dezembro de nordeste, sendo a velocidade maior que 0,6m/s no período de junho a agosto e menor que 0,5m/s no entre março a maio.
O balanço hídrico é positivo, tendo como referência a precipitação média de 1800 mm/ano, sendo maior nos meses de junho e julho menor nos meses de novembro e dezembro, enquanto que a evaporação média é de 1025mm/ano, sendo maior nos período de outubro a janeiro e menor nos meses de maio e junho ( Estação meteorológica de Porto de Galinhas – Ipojuca – PE – 2001 ).

Geologia

A formação geológica da região estuarina do Rio Una faz parte da mesoregião da mata pernambucana e teve origem no período quaternário da era Cenozóica, apresentando aluviões, dunas, depósitos areno-argilosos e sedimentos de origem marinha.
Nas várzeas e em áreas de relevo plano, adjacentes ao Rio Una, apresentam solos Orgânicos e Aluviais Distróficos e Eutróficos e também Podzolico Hidromórfico, que desenvolvem-se sob a influência de lençol freático elevado, tendo a fertilidade natural variada.
Nas áreas de manguezais e de relevo mais baixo, próximas ao mar, observam-se os solos hidromorfológicos tipo Indiscriminado de Mangue e Salinos Indiscriminados, com pouco aproveitamento agrícola, devido à elevada concentração de sais solúveis.
Observa-se ainda que o relevo da costa apresenta profundidade média 40 metros até o limite da plataforma continental, que tem uma largura de aproximadamente 20km, quando a profundidade aumenta abruptamente, atingindo até 3.000 metros nos próximos 20 km ( carta náutica 0900 ).
O solo é formado por uma lama de coloração cinza-escura a preta. Nas áreas mais afastadas da antiga foz e próximas da vila de Várzea do Una, e por isso recebendo menor fluxo de água, constata-se uma maior concentração de sulfeto de hidrogênio ( H2S ), o que causa um odor característico de enxofre ( ovo podre ), demonstrando haver sinais de degradação.
A escassez de oxigênio nas camadas mais baixas faz com que as raízes se projetem do solo (raízes-escora e raízes aéreas), ficando expostas, reduzindo o impacto das ondas das marés e servindo de substrato para ostras e outros organismos. Para dar maior capacidade de oxigenação, brotam das raízes enterradas os pneumatóforos e das raízes aéreas minúsculas estruturas porosas chamadas lenticelas.
Na lama das áreas afastadas da antiga foz e das áreas que não sofreram com o assoreamento, predominam raízes e materiais decompostos, restos de galhos, folhas e animais, enquanto que nas áreas próximas aos assoreamentos, praticamente a lama encontra-se abaixo de várias camadas de areias de origem marinha, carreadas pelo vento e correntes marinhas.

Hidrologia

Resultados de análises de dados coletados por Rafaella Brasil Bastos ( Variação espaço-temporal da biomassa fitoplânctonica relacionada com parâmetros abióticos no estuário do Rio Una - PE” – 2001 ), dão conta que no estuário foram constatados em três pontos de coleta, localizados desde a nova foz até 4 km rio acima, condições como:

- Altura da maré variando de 0,00m a 2,40m próximo da foz
- Profundidade de 0,90m próximo da foz a 7,00m a 4 km rio acima
- Transparência da água variando de 0,20m em julho a 2,25m em dezembro
- Temperatura de 23,80C em agosto a 32,0 0C em fevereiro.
- Oxigênio dissolvido de 3,86 ml.l-1 em março a 6,94 ml.l-1 em junho.
- Material em suspensão entre 2,00 mg.l-1 a 114,50 mg.l-1., nos meses de janeiro e fevereiro
- Biomassa fitoplântônica varia de 1,68 mg/m3 em junho a 36,30 mg/m3 agosto
- Salinidade variando de 0%0 entre os meses de agosto e outubro a 39%0 em maio.

Basicamente somente os teores de fósforo e coliformes fecais se apresentaram acima do padrão, configurando poluição causada por efluentes domésticos.
Dados da Companhia Pernambucana do Meio Ambiente – CPRH ( Relatório de Monitoramento de Bacias Hidrográficas do Estado de Pernambuco – 2001 – UN2-45 – a jusante da cidade de Barreiros ), indicam que

1. Em geral as medições de DBO ( 2.0 a 3.3 ), OD ( 7.1 ml.l-1 a 8.0 ml.l-1 ), PH ( 6.3 a 7.2 ), cloretos, amônia e sólidos dissolvidos estão dentro do limite da classe 2 ( águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, ao uso em agricultura irrigada, em produtos de consumo in natura e à recreação de contato primário, como natação, esqui-aquático e e mergulho.
2. Os níveis de coliformes fecais ultrapassam em muito os valores permitidos, chegando, conforme dados históricos a 50.000/100ml.
3. Os índices pluviométricos variam de 600 a 1800mm e a temperatura em torno de 24 a 26 0C.

Flora

Os mangues são espécies halófilas ( se adaptam bem à água salgada ), heliófilas ( necessitam de luz do sol ) e vivíparas, quando as sementes somente caem após o desenvolvimento, conhecidas como propágulos, que podem flutuar pelo estuário por longos períodos, até se fixar em um local adequado, passando a viver através da fotossíntese, quando são denominados de plântula.

Nos manguezais do estuário do Rio Una, que se constituem em florestas perenifólia latifoliada marinha, são encontradas espécies como:

• Mangue-vermelho, conhecido como verdadeiro, bravo, sapateiro ou gaiteiro (Rhizophora mangle), que tem raízes-escora ou rizóforos, que dão estabilidade e raízes adventícias, que brotam de troncos e galhos em forma de arco para o substrato. Quando raspado, mostram uma tonalidade avermelhada.
• Mangue-branco, conhecido como tinteira ou manso (Laguncularia racemosa), possui glândulas junto à base de cada folha e tem raízes horizontais e radias com pneumatóforos que brotam do solo para a superfície. Se adaptam bem a águas de salinidade intermediária, frutificam com abundância e os frutos realçam mais que a folhagem.
• Mangue-preto, conhecido como seriba ou seriúba (Avicennia sp), tem raízes horizontais e radiais, de onde surgem os pneumatóforos, que crescem verticalmente para propiciar respiração às plantas. O tronco tem uma tonalidade castanho-clara e quando raspado tem uma tonalidade amarela, as folhas são esbranquiçadas na parte inferior e dão frutos com geometria assimétrica.
• Também são encontradas em menor dispersão o mangue-de-botão (Conocarpus erectus), mangue-bugi (Avicenis schaueriana) e mangue-canoé (Avicenia nítida), além de gramíneas (Spartina brasiliensis), samambaia-de-mange (Acrosticum aureum), algodoeiro-de-praia (Hibiscus tiliaceus), avencão (Acrostichum aureum), barba-de-velho (Usnea barbata).

Fauna

A fauna dos manguezais da região é variada, mas não exclusiva do ecossistema, tendo capacidade de filtrar e expelir o sal, estando adaptadas às flutuações de marés e sendo classificados em:
• Sésseis: ostras-de-mangue (Crassostrea rhizophorae), sururu (Mytella charruana), unhas-de-velho (Tagelus plebeius), taioba (Mactra fragilis) e maçunim (Anomalocardia brasiliana)
• Arborículas: aratú-de-mangue e caranguejo-marinheiro.
• Rastejadores: caramujo-do-mangue e siris (Callinectes marginatus e Callinetes exasperatus)
• Escavadores: caranguejo-chama-maré (Uca maracoani), caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e guaiamuns (Cardisoma guaiumi);
• Voadores: maruim (Culicoide paraensis), garça (Egretta thula), Andorinha-de-rio (Tachycineta albiventer).
• Natantes: sardinha (Opisthonema oglinum), bagre (bagre marinus), baiacus (Sphoeroides testudineus), tainha (Mugil sp), xaréu (Caranx latus), manjuba (Anchoviella lepidentostole), carapebas (Eugerres brasiliensis) e agulha (Hyporhamphus roberti)
• Oportunistas: cobras, cação, peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) e sagüi (Callithrix sp)

Apicuns

Entre as vilas de Abreu do Una e Várzea do Una, no interior dos bosques de mangues e em áreas contíguas e um pouco afastadas das margens, são encontradas grandes áreas de apicuns, também conhecidos como planícies hipersalinas, salgados e salinas.
Estas zonas de transição, de solo arenoso e vegetação herbácea ou desprovidas de vegetação, que os habitantes transformam em campos de futebol, têm origem no assoreamento dos manguezais e quase apresentam nenhuma fauna, constatando-se tão somente a presença do molusco conhecido por lambe-pau (Littorina flava) e xiés (Uca burguesi).
Por tais características e também pela discussão relacionada às leis de proteção de manguezais, tais áreas tem sido utilizados para o desenvolvimento da carcinocultura, que neste caso, devido à redução de fluxo de água no estuário, tem agravado a condição pesqueira e o impacto que tal atividade causa ao meio ambiente.
Nas florestas perenifólias e campos de várzeas, próximos do estuário, são encontradas espécies como louro (Octoea Sp), Angelim (Andiranitida), cajueiro (Anachardium occidentalle) e pau-dárco roxo (sandw), além de granineaes e cyperaceaes nas áreas inundadas.

Restinga

O ambiente estuarino do Rio Una contempla uma área de restinga de rara beleza, onde podem ser encontradas espécies como bredo-de-praia (Iresine portulacoides), salsa-de-praia (Ipomoea pes-caprae), Salsa-branca (Ipomoea littoralis), chanana (Turenra ulmifolia), feijão-de-praia (Carnavalia rósea), cipó-chumbo (Cassytha americana), pinheirinho-da-praia (Polygala corisoides), coroa-de-frade (Melocactus violaceus e Molocactus bahiensis), mandacaru (Cereus sp), coco (Cocos nucifera) e bromélias (Hohenbergia sp).

Impactos na Área Estuarina

No ano de 2000, uma cheia de grandes proporções foi registrada, causando sérios danos às áreas banhadas, em especial às áreas mais baixas dos distritos e cidades.
Nesta ocasião, e com a justificativa de minimização da elevação do nível do rio, foi aberta a barra no distrito de Várzea do Una, em São José da Coroa Grande, sem qualquer consulta aos órgãos ambientais, causando modificação no curso final do rio e na localização da foz, que foi deslocada para cerca de 3km ao norte da anterior.
O estuário, considerado normal ou típico até maio de 2000, passou a partir de maio de 2002, a fechado, quando foi formado o banco de areia impedindo o curso normal do rio.

Aspectos Ambientais

• O fluxo e refluxo das águas estuarinas esteja sendo feito somente pelas correntes de marés, sem contar com o caudal das águas do Rio Una, levando a uma condição hipersalinidade.
• O antigo estuário, por onde o rio tinha seu curso original se transformou em uma lagoa, aumentando a salinidade, reduzindo os níveis de oxigênio, principalmente nas áreas mais distantes da antiga foz e modificando as características do habitat.
• A antiga foz foi assoreada, dificultando ou impedindo o acesso de embarcações de pesca da região e outras que se serviam do único estaleiro da região e uma das mais importantes fontes de renda, ressaltando que a nova foz não dá acesso à área do estaleiro.

Como se não bastasse, existe um projeto de carcinocultura em andamento na região, o que agravará as condições das águas do estuário, visto que as águas quase não estão sendo renovadas, delineando um cenário de semi-destruição da flora e fauna, privando grande parte da população de retirar espécies para sua sobrevivência.
Observa-se que sobre tais fatos todos os órgãos ambientais, ministérios de pesca e agricultura, meio ambiente e direitos humanos, além de ministérios públicos federal e estadual estão cientes dos problemas, mas corre-se o risco de que as providências para a remediação dos danos somente sejam tomadas quando o estuário estiver perto de um colapso.
Tal modificação, que é motivo de denúncias aos órgãos responsáveis pelo controle ambiental, tem causado preocupação aos habitantes, pois a salinidade aumentou e a circulação de água agora somente é feita pela entrada da maré, reduzindo a capacidade de oxigenação do estuário e a carga de nutrientes. Além disso, o acesso das embarcações pela antiga foz, devido ao assoreamento, foi enormemente prejudicado, causando prejuízos à navegação e pesca na área estuarina e às atividades de turismo e de construção e reforma de embarcações, implicando em danos à economia da região e aumento da pobreza. Tais condições estão levando os moradores das comunidades a praticarem com maior intensidade a pesca predatória de espécies estuarinas e desmatarem manguezais para utilização das varas em cercas, esqueletos de casas de taipa e carvão.

Aspectos Sócio-econômicos

Com a redução da população de espécies estuarinas e do calado da antiga foz, a utilização dos manguezais e as águas estuarinas tem sido feita de forma predatória, através da captura de espécies com tamanho abaixo do permitido e de fêmeas, além do desmatamento de mangues para utilização em esqueletos de casas, cercas e lastros de camas, considerando a sobrevivência de curto prazo sem observar as conseqüências a médio e longo prazo.
A pesca, feita de forma artesanal e até primitiva, é uma das principais atividades econômicas, mas a prática predatória, em especial nos estuários dos rios, utilizando redes de malha fina, artefatos e armadilhas proibidas como “redinhas e ratoeiras”, além de produtos químicos como carrapaticida e água sanitária, assim como desconsiderando o tamanho mínimo e a capacidade de reprodução das espécies, provocou uma significativa redução dos estoques de peixes e crustáceos, tornando a atividade pouco produtiva.

O assoreamento da antiga foz significa graves danos à economia local e proteção ambiental, em virtude de:

• Impossibilidade de livre acesso de embarcações ao estuário, inviabilizando o estaleiro e causando sérios problemas sociais e financeiros aos habitantes;
• Colocar em risco e até inviabilizar as atividades de turismo e de carpintaria naval, por dificuldade e impossibilidade de tráfego de embarcações quando da maré baixa ou em fase de maré-morta.
• Aumento da pesca predatória, utilizando artefatos e apetrechos que capturam espécies indiscriminadamente, motivada pela redução da população de espécies estuarinas.
• Redução, mutação e até extinção de algumas espécies da fauna e flora, cujo habitat são os manguezais, restinga e área estuarina, causando graves conseqüências na renda advinda da atividade pesqueira;
• Desmotivação das comunidades inseridas na área estuarina do Rio Una para iniciativas e ações relacionadas com a preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

Impactos Ambientais – Diagramas das Situações Estuarinas – 2000 a 2004

Situação em maio de 2000

Situação em maio de 2002

Situação em maio de 2004

LEGENDA:
1 – Vila de Várzea do Una; 2 – Vila de Abreu do Una; 3 – Ilhas de manguezais; 4 Coqueirais;
5 – Restinga; 6 – Banco de Areia; 7 – Foz em mai/2000; 8 – Foz mai/2002; 9 – Foz em mai/2004;
10 – Propriedade privada; 11 – Áreas de Manguezais; 12 – Estuário; Curso do Rio Una:

Diagrama Unifilar e Solo Predominante

Tipo de Solo
(predominante)

Descrições e Principais Características

A / R

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatírico – granitoide / Solo Litossolo eutrófico + Regossolo distrófico e eutrófico, com alguns afloramentos de rocha

B / PL

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatitico – granito / Solo Planossolo + solo Litolítico eutrófico

C / PL

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatítico- sienito / Solo Planossolo + solo Litolítico eutrófico

D/ RE

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatítico – granito / Regossolo distrófico

E / LA

Pré-cambriano Indiviso – migmatítico – granitóide / Latossolo amarelo + Podzolico amarelo e vermelho distrófico

F / LA

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatítico - granito / Latossolo amarelo + Podzolico amarelo e vermelho distrófico + Gleissolo amarelo e Cambissolo Gleico distrófico e eutrófico

G / G

Pré-cambriano Indiviso – complexo migmatítico – granitóide granito / Gleissolo + Cambissolos e solos aluviais distróficos e eutróficos. No leito do rio observa-se também Podzólicos amarelo e acinzentado distrófico

H / AM

Quaternário barreiras ( aluviões, dunas, sedimentos de praia )/ Areias quatzosas marinhas + podzólico hidromorfo

Municípios da Bacia Hidrográfica

Quadro de municípios de Pernambuco e áreas consideradas na bacia de drenagem do Rio Una.

NR

MUNICÍPIO

ÁREA TOTAL DO MUNICÍPIO

ÁREA DO MUNICÍPIO QUE FAZ PARTE DA BACIA DO RIO UNA

OBSERVAÇÕES 

 

Denominação – ( condição )

KM2

KM2

%

GL4 E GL5 EM KM2

1

Agrestina

198,00

198,00

100,00

 

2

Água Preta – banha sede

532,00

474,05

89,11

 

3

Altinho – banha sede

452,60

445,90

98,52

 

4

Barra de Guabiraba

118,10

7,13

6,04

 

5

Barreiros – banha sede

229,80

188,80

82,16

GL4 = 27,89 E GL5 = 13,10

6

Belém de Maria

63,80

63,80

100,00

 

7

Bezerros

545,70

65,37

11,98

 

8

Bonito

392,90

279,74

71,20

 

9

Cachoeirinha – banha sede

183,20

181,39

99,01

 

10

Caetés

324,20

23,02

7,10

 

11

Calçado

56,00

38,64

69,00

 

12

Camocim de São Félix

50,90

7,90

15,52

 

13

Canhotinho

423,00

33,21

7,85

 

14

Capoeiras – banha sede

344,30

254,78

74,00

 

15

Caruaru

932,00

12,40

1,33

 

16

Catende

160,90

160,90

100,00

 

17

Cupira

104,20

104,20

100,00

 

18

Gameleira

260,80

36,02

13,81

 

19

Ibirajuba

218,00

218,00

100,00

 

20

Jaqueira

90,90

90,90

100,00

 

21

Joaquim Nabuco

115,60

60,90

52,68

 

22

Jucati

109,40

19,56

17,88

 

23

Jupi

151,20

87,70

58,00

 

24

Jurema

147,00

138,49

94,21

 

25

Lagoa dos Gatos

189,20

189,20

100,00

 

26

Lajedo

208,90

202,82

97,10

 

27

Maraial

217,30

217,30

100,00

 

28

Palmares – banha sede

373,20

376,20

100,00

 

29

Panelas

369,60

369,60

100,00

 

30

Pesqueira

1.136,00

16,47

1,59

 

31

Quipapá

225,60

225,60

100,00

 

32

Rio Formoso

235,00

15,72

6,69

GL4 = 110,59

33

Sanharó

247,50

2,57

1,04

 

34

São Benedito do Sul

209,30

209,30

100,00

 

35

São Bento do Una – banha sede

715,90

645,75

90,20

 

36

São Caetano

373,90

105,19

28,13

 

37

São Joaquim do Monte

230,60

213,42

92,55

 

38

São José da Coroa Grande

75,00

19,44

25,92

GL5 = 55,56

39

Tacaimbó

210,90

60,67

28,77

 

40

Tamandaré

205,00

90,23

44,01

GL4 = 111,73

41

Venturosa

326,10

3,65

1,12

 

42

Xexéu

116,50

16,50

100,00

 

 

ÁREA TOTAL

 

6.270,44

 

GL4 = 269,82 E GL5 = 68,66

Fonte: IBGE – Elaboração CONTÈCNICA – base Plano da Bacia do Rio Una - Secretaria de Recursos Hídricos de Pernambuco