MUSEU DO UNA

Introdução

O Museu do Una foi inaugurado em 22 de abril de 2000, contando com uma área total de 600 m2, dos quais 200 m2 de área construída, estando aberto à visitação pública de sexta a domingo, de 11 às 17 horas, ou em outros dias ou horários, para atender grupos, desde que previamente acertado.
Observa-se que em dezembro de 2003 teve alteração jurídica, passando a ser denominado Instituto Museu do Una, uma organização civil sem fins políticos ou lucrativos, tal como aos objetivos anteriores, com duração por tempo indeterminado, com sede e foro no município de São José da Coroa Grande, estado de Pernambuco, na Av Beira Rio sn, distrito de Várzea do Una, CEP 55565-000, cujas atividades são regidas por estatuto, conforme legislação em vigor.

Conforme estatuto, a entidade tem por finalidade promover:

I – A identificação, restauração, preservação, conservação e divulgação de patrimônios históricos, artísticos e culturais, representados por sítios, edificações, museus, bibliotecas, máquinas, equipamentos, peças, arquivos e demais acervos;
II – A identificação, preservação e divulgação da história, cultura e meio ambiente, representados por obras literárias, manifestações folclóricas, produções fonográficas, fotográficas e videográficas e atividades educativas, de pesquisa científica e congêneres;
III – A identificação, remediação, preservação e conservação do meio ambiente, representado por ecossistemas de ambientes costeiros, recifes de corais, bacia hidrográfica dos rios Una e Persinunga e adjacências;
IV – O desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida do município de São José da Coroa Grande, considerando aspectos históricos, artísticos, culturais e de meio ambiente.
V - Atividades voltadas à filantropia e ao desenvolvimento pessoal ou comunitário, educacional e social da infância, juventude e pessoas adultas, inclusive atendendo à integração na vida social e profissional de pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência, visando oportunidades de estudo, cultura, esportes e profissões, criando assim uma condição de melhoria na qualidade de vida de todos os participantes dos projetos da entidade nos quais estão engajados.

Localização

A vila de Várzea do Una, situada a 7 km da sede do município, foi escolhida por se tratar de um local privilegiado quanto à beleza geográfica, rica biodiversidade, grande valor histórico, preservação da cultura nativa e meio ambiente e imenso potencial turístico.

Aspectos Ambientais

A vila está situada em plena área estuarina do Rio Una, uma Reserva Biológica e Área de Preservação Ambiental do Estado de Pernambuco, conforme lei 9.931, de 11/12/1986, e também inserida na Área de Proteção Ambiental de Recifes de Corais, a maior Unidade de Conservação Marinha do Brasil e uma da mais importantes do atlântico sul, a APA Costa dos Corais, instituída em 23 de outubro de1997.
Nos arredores podem ser vistos coqueirais, canaviais, manguezais preservados, mata atlântica e vegetação de restinga em praia desabitada, localizada em um istmo, com ondas fortes e propícias para surf no lado do oceano Atlântico e águas calmas para navegação e pesca do estuário do Rio Una.

Aspectos Históricos

Os primitivos habitantes foram os antropofágicos índios Caetés, da nação Tupi, que dominavam o litoral desde Cabo de Santo Agostinho até a foz do Rio São Francisco, até serem quase dizimados pelo governo português, após comeram o bispo Fernandes Sardinha e sua comitiva, quando do naufrágio da nau N. S. da Ajuda, no litoral da então Capitania de Pernambuco.
Durante a guerra com os holandeses foi ponto de convergência e resistência das tropas pernambucanas e até a primeira parte do século XX entreposto açucareiro dos engenhos e usinas que margeavam o Rio Una, com grande tráfego de barcaças e locomotivas.
Na revolução de 1930 foi um dos pontos de partida para o exílio do então Governador de Pernambuco Estácio de Albuquerque Coimbra e seus principais auxiliares, entre eles o sociólogo Gilberto Freyre.

Divulgação

A divulgação do Museu é feita através da distribuição de cartazes em hotéis, bares, restaurantes, agências de turismo, marinas e instituições de ensino e pesquisa.
Informações detalhadas sobre o museu e a região, em especial do município de São José da Coroa Grande, fazem parte do site www.museudouna.com.br, que também está referenciado nos sites de entidades governamentais e não governamentais.
Em janeiro de 2001 o Museu do Una foi matéria de uma reportagem especial na Rede Globo e outra em novembro de 2002, no Jornal do Commércio do Recife. O museu conta ainda com uma pequena loja, onde são comercializados bonés, camisetas, botons, adesivos e peças de artesanato local.
Registra-se uma média anual de 2.000 visitantes, do Brasil e exterior, com predominância de alunos de escolas dos municípios de São José da Coroa Grande e Barreiros.

Recursos Financeiros

Os custos com a manutenção das instalações e acervo do Museu do Una, bem como da biblioteca de Várzea do Una e patrocínios de eventos em defesa da cultura e meio ambiente são cobertos por doações e direitos autorais de livros editados pelo fundador e da comercialização de brindes e livros na loja do museu.

Patrocínios

Seminário de Biologia, Pesca e Educação Ambiental

Realizado em 2000, no Museu do Una, contou com renomados professores e pesquisadores palestrantes e cerca de 60 participantes.
Na ocasião, foram abordados os temas: manejo dos recifes de corais, sustentabilidade dos manguezais, reprodução e pesca de camarões e ecoturismo.

Salão de Artes da Costa Dourada

Realizado em 2001, no Museu do Una, contou com a participação de 30 artistas, dentre os quais escultores, pintores e artesãos, sendo registrados mais de 350 visitantes em dois dias de exposição.

Escola Gisa

Em 2000 foi firmada parceria entre o fundador do Museu do Una e a Prefeitura Municipal de São José da Coroa Grande, objetivando a municipalização e adoção da Escola Gisa, uma entidade de ensino fundada em 1994, sem fins políticos ou lucrativos, destinada ao ensino fundamental e especial para crianças carentes, além de alfabetização de jovens e adultos, com capacidade para 400 alunos, estabelecida de um prédio localizado na zona urbana do município, permanecendo ainda os custos com manutenção predial e serviços públicos cobertos pelo Museu do Una.

Laboratório de Leitura e Ciências

Desde 2002 o Museu do Una disponibiliza, todas as sextas-feiras, sala aula para alunos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI, além de ser considerado como laboratório de leitura e ciências do município.

Educação Ambiental

Desde janeiro de 2003, são programadas palestras sobre educação ambiental no Museu do Una e em escolas das redes pública e particular do município, contando com a presença de inúmeros estudantes e professores.

Proteção Ambiental

Em 2002, foi firmado acordo com a Prefeitura Municipal de São José da Coroa Grande para adoção pelo Museu do Una da última área de restinga remanescente na praia urbana do município, com aproximadamente 1.000 m2.

Site na Internet

Um meticuloso trabalho de pesquisa literária, contemplando biografias, fotografias e entrevistas, resultou em um banco de dados sobre a região e o Museu do Una. Trata-se do site www.museudouna.com.br.

Preservação Ambiental

Desde 2002 foram intensificadas ações junto aos órgãos públicos como IBAMA, CPRH e Ministério Público Federal quanto às providências necessárias para coibir e remediar os danos ambientais decorrentes da pesca predatória e modificações antrópicas na área estuarina, além de desmatamentos e aterros de manguezais.

Preservação de Rios

Em 2001 o Museu do Una apoiou passeata realizada em São José da Coroa Grande, pelas redes de ensino pública e privada, como alerta à população e autoridades, sobre os danos ambientais e riscos ao abastecimento d´água do município, causados pelos níveis de poluição detectados no Rio Persinunga.
Em 2002 o Museu do Una apoiou o mutirão de limpeza do estuário do Rio Una, realizado por representantes das comunidades de São José da Coroa Grande e Barreiros.

Pesquisas

Em 2001 o Museu do Uma cedeu suas instalações e apoiou as pesquisas de alunos dos Departamentos de Biologia e Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, sobre plânctons no estuário do Rio Una.

Acervo

O acervo é composto por vários exemplares de espécies de animais marinhos e oriundos da região; mapas e cartas náuticas; motores, instrumentos, ferramentas e madeiras aplicadas em embarcações; materiais e utensílios utilizados nas culturas de pesca, coco e cana-de-açúcar; esculturas, pinturas e artesanato de artistas locais; fotos e objetos da gente nativa; painéis com aspectos de destruição e remediação ambiental; ala destinada a conchas e painel com curiosidades do mundo afora, contemplando artesanato, moedas e dados sobre museus, oceanários.
Em fins de 2003 foi aberta a área externa para exposição de máquinas e equipamentos de maior porte, que fizeram a história da região, como uma locomotiva de extinta Usina Central Barreiros.

Meio Ambiente

Estão instalados painéis que mostram aspectos de ecossistemas da região, de destruição, remediação e preservação ambiental, tais como:

• Características dos ecossistemas manguezais, recifes de corais, mata atlântica e restinga da região;
• Formas e artefatos utilizados na pesca predatória, tais como bomba, redinha, carrapaticida e ratoeira;
• Materiais contaminantes de rios, estuários, mares e oceanos, tais como pesticidas, plásticos e pneus;
• Equipamentos e materiais utilizados para contenção e descontaminação de áreas, como mantas, contenedores e separadores de óleo.

Embarcações e Marinharia

Uma das maiores tradições e fonte de renda da região é a construção e reforma de embarcações, sendo representadas por:

• Madeiras de variados tipos, ferramentas e acessórios utilizados em construções de embarcações.
• Instrumentos meteorológicos como bússola, higrômetro e termômetro;
• Cordas, quadros de nós e anzóis, bóias e sistemas de sinalização náutica;
• Réplicas de embarcações como caícos, catraias, barcos de pesca e jangadas;
• Motores de popa e de centro e painéis com detalhamento de construções navais.

Conchas e Fósseis

Mais de uma centena de conchas gastrópodas, biválvias e cephalopodas oriundas de mares e oceanos do mundo, além de fósseis e réplicas de fósseis de animais marinhos em um painel com informações sobre características e eras geológicas.

Animais

Mais de uma centena de espécies de animais encontrados na região estão identificados, preservados e expostos em painéis, tais como:

• Sapata-do-mar, tatuí gigante, caranguejo de profundidade, arcadas de tubarões;
• Cobras rainha, jararaca, coral, verde e cipó;
• Ossos de baleias e casco, cabeça e ovos de tartaruga marinha;
• Peixes como baiacu-de-espinho, piranha branca e moréia;
• Siris, caranguejos, polvos, guaiamuns, aratus, camarões, lagostas, guajas, pitus e xiés;
• Insetos como escaravelho, escorpião, centopéia, baratas-d´água e serra-pau.

Coco, Cana e Pesca

Para mostrar as culturas de coco, cana e pesca, que estão entre as principais fontes de renda dos habitantes, existe uma ala com covos de lagosta, peixe e camarão, puçá, gereré, rede, tarrafa, saburá e porta iscas, além de ferramentas e artefatos utilizados por canavieiros e tiradores de coco, como foices e peias.

História e Cultura

Histórias, tradições e relíquias da região são mostradas através de:

• Peças do artesanato local;
• Bandeiras de clubes locais como Bola de Ouro, Bagaço e Samba-de-Matuto;
• Peças utilizadas em engenhos, usinas, ferrovias; barcaças, padarias e indústrias locais;
• Documentos, fotografias, e objetos pessoais de habitantes nos séculos XIX e XX;
• Traduções em inglês, francês, alemão, espanhol e holandês sobre dados da região;
• Dados sobre a construção do Museu do Una.

O Mundo

A história e a cultura universal estão contempladas no acervo, objetivando proporcionar conhecimentos sobre o mundo em que vivemos, através de:

• Mapas de países, gravuras e cartas náuticas;
• Folders, encartes e tickets de museus, oceanários e aquários do mundo;
• Cédulas, moedas e peças de artesanato de paises.

História do Museu do Una

A história do museu está contada em um painel contendo:

• Fotografias, documentos e dados da construção;
• Traduções em inglês, francês, alemão, espanhol e holandês;

Museu Aberto

Em espaço anexo à edificação estão sendo montados equipamentos e utensílios de grande porte que pertenceram a engenhos e usinas, como uma locomotiva à vapor francesa, ano 1926, que pertenceu à Usina Central Barreiros, tendo número de registro 06 e como nome “Coronel Othon“.

Recepção e Loja do Museu

Uma nativa da região está disponível para atender os visitantes e prestar informações sobre o acervo do museu e as atrações turísticas, história, cultura e meio ambiente do município de São José da Coroa Grande.
Em um mostruário poderão ser encontrados livros paradidáticos sobre cultura e meio ambiente da região, como “Dicionário de Pernambuquês” e “Viagem aos Corais”, além de adesivos, camisetas, bonés e outras lembranças do Museu do Una e do artesanato local.

Principais Resultados Obtidos

O Museu do Una proporcionou à comunidade de São José da Coroa Grande e municípios vizinhos a oportunidade de acesso ao conhecimento somente disponível até então nos centros mais desenvolvidos, através de exposições e eventos, podendo ser representados por:

• Conscientização da comunidade dos benefícios do desenvolvimento sustentável;
• Interesse pela preservação da história e raízes culturais;
• Redução em desmatamento de manguezais, matas ciliares e áreas de restinga;
• Redução da pesca predatória e práticas ilegais;
• Redução de despejos domésticos no estuário;
• Acesso de habitantes e visitantes às consultas e pesquisas na biblioteca do museu;
• Levantamento de dados e divulgação da região em instituições e órgãos governamentais e não governamentais;
• Desenvolvimento do turismo ecológico;
• Doações de objetos históricos para restauração e preservação

Observa-se ainda que o Museu do Una tem se constituído em um instrumento não somente de educação ambiental como de combate aos danos ambientais provocados por pessoas físicas e jurídicas, que afetem ou possam afetar o ecossistema do município de São José da Coroa Grande, formalizando denúncias aos órgãos competentes, tais como o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, IBAMA, CPRH e Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Una.
Dentre as principais denúncias, que resultaram em avaliações e processos estão as construções realizadas no estuário e foz do Rio Persinunga e o crime ambiental no estuário do Rio Una, que teve sua foz modificada e seu curso original interrompido, causando graves problemas à flora e fauna e ameaça à sobrevivência das comunidades das vilas de Abreu do Una e Várzea do Una.