Costa
Dourada - Por que construir um museu?
Bertrando Bernardino - A memória de um povo há de ser
preservada, para que o progresso não apague a história e possamos
aprender com os antepassados, estudando formas de evolução
cultural. Para isso, nos propusemos a resgatá-la e exibi-la em um
espaço adequado.
CD
- Por que Várzea do Una?
BB - A vila de Várzea do Una é um local privilegiado
pela natureza quanto à beleza e biodiversidade. Nos arredores podem
ser vistos coqueirais, canaviais, manguezais preservados, mata atlântica
e vegetação de restinga em praia preservada e deserta localizada
em um istmo. Além disso, está situada em plena área
de preservação ambiental de recifes de corais, uma da mais
importantes do atlântico sul, a APA Costa dos Corais.
CD
- Qual a importância histórica do local?
BB - Os índios Caetés, da nação Tupi,
foram os primitivos habitantes, até serem quase dizimados pelo
governo português, após comeram o bispo Fernandes Sardinha
e sua comitiva quando do naufrágio da nau N. S. da Ajuda, no litoral
de Alagoas. Durante a guerra com os holandeses foi ponto de convergência
e resistência das tropas pernambucanas. No ciclo do açúcar
e até a primeira parte do século passado, foi entreposto
açucareiro dos engenhos e usinas que margeavam o Rio Una. Tais
fatos demonstram a contribuição da região para a
história do Brasil.
CD
- Qual a ligação do Museu do Una com a Escola Gisa?
BB - O Museu do Una faz parte de um projeto de vida, que já contempla
a escola Gisa, uma entidade de ensino sem fins políticos ou lucrativos,
que conta com mais de 250 alunos matriculados em turmas de ensino fundamental
e especial para crianças carentes, além de alfabetização
de jovens e adultos, desta feita com o apoio do programa Banco do Brasil
Educar. Atualmente funciona em regime de comodato com a Prefeitura Municipal
de São José da Coroa Grande, que sempre apoiou a iniciativa,
não medindo esforços para a realização dos
objetivos.
CD
- Existe um plano para a inserção do Museu do Una na
comunidade?
BB - O Museu do Una trouxe inúmeros benefícios à
região, em especial à comunidade de Várzea do Una.
Em menos de dois anos de inaugurado, recebemos mais de 5.000 visitantes,
promovemos eventos como o Primeiro Salão de Artes da Costa Dourada
e o Primeiro Seminário de Biologia, Pesca e Educação
Ambiental, além de termos instalado uma biblioteca com cerca de
3.000 volumes. Dentro em breve será construído o Teatro
do Una, anexo ao museu, com capacidade para 100 lugares, onde também
serão ministrados cursos de educação ambiental.
CD
- Como é feita a divulgação do Museu?
BB - São distribuídos cartazes em hotéis,
bares e restaurante, agências de turismo e marinas, instituições
de ensino e pesquisa e através do site www.museudouna.com.br. Em
janeiro de 2001 foi matéria de uma reportagem especial na Rede
Globo. No museu, contamos com uma pequena loja no museu, onde são
vendidos bonés, camisetas, botons e adesivos.
CD
- Quais as fontes para a formação do acervo e manutenção
do Museu?
BB - Inúmeras pessoas e instituições têm
feito doações de peças para a formação
do acervo e existe uma contribuição simbólica aos
visitantes para cobrir as despesas com manutenção. Mas ressalta-se
que o custo mensal, o mesmo que manter uma pequena embarcação,
é imensamente compensado com a conscientização das
pessoas quanto à preservação da cultura e do meio
ambiente.
CD
- Quais as maiores dificuldades encontradas no empreendimento?
BB - Morar e trabalhar a cerca de 120 km do local e dispor de recursos
financeiros limitados provocam alguns atropelos, mas tudo contornado satisfatoriamente,
com paciência e obstinação.
CD
- O senhor gostaria de fazer algumas considerações finais?
BB - Todos os cidadãos tem obrigação de contribuir
para a melhoria de vida da comunidade em que vivem, não importa
a profissão. Basta querer fazer, sem buscar retorno financeiro
ou político, pois isso compromete a credibilidade da ação.
Ressalta-se ainda que o museu, a biblioteca, a escola e futuramente, pertencem
à comunidade.
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