ENGENHO TENTUGAL

Localização

A simpática localidade, situada em uma várzea de terras férteis, com 1.043 hectares, encravada entre pequenos morros e cortada por riachos perenes, dentre os quais o Riacho Meireles, encontra-se a cerca de 2 km da PE 060 e 4 km da sede do município, tendo como coordenadas geográficas do arruado 080 51’ 39” S e 0350 10’ 34” W.

Habitantes e Costumes

O engenho possui 127 casas, distribuídas nas ruas Assembléia, Campo, Catorze, Brasilit, Estalagem e Estação, além de outros locais mais afastados da área principal, onde moram cerca de 740 habitantes.
Para passar o tempo, quando não estão trabalhando, parte dos moradores mais jovens jogam cartas e dominó ou se divertirem com conversas despretensiosas após o jantar nos terreiros das casas.

Fontes de Renda

As fontes de renda estão no corte da cana-de-açúcar, coleta de coco, criação de gado e cabras e lavouras de macaxeira, batata e hortaliças. Alguns habitantes são aposentados e outros trabalham na sede do município e nas cidades vizinhas.
A instalação de uma casa de farinha, utilizando a estrutura de uma antiga estribaria, possibilitou uma renda extra aos moradores e uma divulgação da localidade.

História

O Engenho Tentugal tem uma rica história, lá tendo nascido Júlio Celso de Albuquerque Bello, o senhor do Engenho Queimadas, que foi deputado estadual, senador e governador interino de Pernambuco e Estácio de Albuquerque Coimbra, um dos mais poderosos homens de todo o nordeste no início do século XX, tendo sido deputado estadual e federal, senador, vice-presidente do Brasil e Governador de Pernambuco.
Contam os mais antigos que em 1930, no auge das moagens da Usina Central Barreiros, além da cultura de cana-de-açúcar, eram coletados cerca de 240.000 cocos / ano, sendo embarcados em São José da Coroa Grande.
Desde 2001 que o engenho Tentugal foi desapropriado pelo INCRA, em processo relacionado com a Usina Central Barreiros, quando era arrendatário Carlos Alberto de Miranda. Entretanto, ainda em 2003 não tinha sido feita a divisão das terras, prejudicando o desenvolvimento da agropecuária pelos assentados.

Registra a história como proprietários, donos de barracão, administradores e gerentes:

Proprietários
• Manoel Firmino da Costa Barradas, Francisco Antônio Pereira dos Santos, José Francisco Bello ( arrendou ao genro João Coimbra ) e a Usina Central Barreiros.

Donos de barracão
• Octaviano, Sérgio Cardoso, Crispim e José Maia.

Administradores
• José Maria, José da Rocha, Manoel Lourenço, Artur, José Inácio, Orestes, Natalício, José Acioli, Miguel e Josias.

Gerentes
• João Francisco de Melo, “Alfredo” e Rosalves Fonseca Lins. O gerente de campo era responsável pelos engenhos Tentugal, Passagem Velha, Serra d´água, Água Fria (AL), Junco (AL), Massangana (AL), Arassú, Buenos Aires (AL), Boa Vista e Manguinhos

Atrações Turísticas

Edificações

Como lembrança dos tempos em que as locomotivas à vapor transportavam cana-de-açúcar, açúcar e mantimentos, podem ser vistas a velha estação, a casa do mestre-de-linha e as ruínas de uma ponte ferroviária.
Na casa do morador João Mata, podem ser observados um forno e um fogão construídos em barro, em bom estado de conservação e na de Amaro Antônio um pequeno forno e apetrechos de ferreiro, ainda utilizados, tal como na época das locomotivas à vapor.
Um salão onde funcionava o escritório foi restaurado e atualmente funciona o Centro Cultural Tentugal, destinado a oficina de artes e ofícios, sala de aula e fabricação e comercialização de produtos artesanais.

Passeios

Ao caminhar pelos arruados do engenho, visitando algumas construções históricas e conversando com os habitantes, os visitantes têm oportunidade de ser transportados para uma época onde a cultura da cana-de-açúcar era a principal atividade agrícola de Pernambuco.
Uma das atrações do engenho é uma bica, onde jorra água límpida vinda de uma nascente que deságua num riacho que corre sobre um leito de pedras, conhecido como “pedreiras”, situado nas margens da antiga estrada que ligava Barreiros a São José da Coroa Grande e também uma bela alameda de jambeiros que dava acesso à casa do gerente de campo.

Curiosidades

Identificação

A origem da palavra Tentugal pode ter origem em uma povoação portuguesa do século X, de nome Tentúgal, berço do Conde D. Sesnando, primeiro governador de Coimbra.

A Revolução Praieira

Uma das regiões envolvidas na revolução foi o Engenho Tentugal, que, conforme registros, indica que o então chefe de polícia de Vieira Tosta, do então presidente de Pernambuco Figueira de Melo, conforme “Crônicas da Rebelião Praieira”, cap. VI, págs 218 e 219, que “os chefes liberais passaram o dia 8 de janeiro para o Engenho Tentugal, na freguesia do Una, pertencente aos herdeiros do falecido Ten.Cel Francisco Antônio de Albuquerque Pereira dos Santos, todos decididos praieiros, a fim de consertarem seus criminosos planos”.
Para tomarem Barreiros, saíram de Tentugal em 10 de janeiro de 1848 cerca de 500 homens, comandados por Félix Peixoto, quando mais de 100 mortos chamaram a atenção de Nunes Machado e Antônio Afonso, pelo preço da liberdade.
Em Tentugal, conforme ordem de Félix Peixoto, datada de 14 de julho de 1848, foi nomeado Belisário Adolfo como Major do primeiro Batalhão de Emigrados e Francisco Antônio como seu Major Ajudante de Ordens.
A Revolução Praieira foi um movimento social e também nativista, entre os conservadores ( ricos, aristocratas e reacionários ) e os liberais, chamados de praieiros ( operários, humildes e intelectuais ), tendo sido originada com a queda do gabinete dos conservadores em 1843, culminando com a proposta de expulsão dos portugueses e operários estrangeiros, além da proibição da importação de produtos estrangeiros que pudessem ser fabricados no Brasil..
Em 22 de janeiro de 1849, decidiram os praieiros deflagarem uma luta, partindo de Água Preta, para tomarem o governo da província, tendo como líderes, entre outros, Pedro Ivo, Borges da Fonseca, João Roma, Nunes Machado e Antônio Afonso. Os praieiros foram derrotados em 02 de fevereiro e Nunes Machado morreu em combate.

Fábrica de Escravos

O avô materno de Júlio Bello, Sto Mor Francisco Antônio de Albuquerque Pereira dos Santos, tinha uma fábrica de escravos no seu Engenho Tentugal, conforme relatado no livro “Memórias de um Senhor de Engenho – Júlio Bello, pág 9“.

Cabanos

Em 1832 / 1833, o Sto. Mor Francisco Antônio de Albuquerque Pereira dos Santos foi para o sul da província em perseguição aos chamados “Cabanos”, que infestavam a região, quando passou em Tentugal, que na época era povoação de Barreiros e freguesia do Una, ficando deslumbrado com a região, tendo logo depois comprado o engenho de Manoel Firmino da Costa Barradas.

Planta de Situação