RECIFES DE CORAIS

Os recifes de corais formam um complexo ecossistema marinho, formados por pequenas colônias de animais chamados pólipos, que têm estrutura externa de composição calcária. Trata-se de um dos mais ricos e fascinantes ecossistemas marinhos.
Se localizam em águas limpas e rasas, até 50 metros de profundidade, com temperaturas acima de 180 C, para que os vegetais possam receber a luz do sol e produzir alimentos. A melhor condição de desenvolvimento dos recifes de corais se encontra entre 5 e 10 metros de profundidade entre 22 e 260 C. No Brasil, em virtude da pouca transparência da água, a melhor condição se situa até 5 metros de profundidade.
Os recifes de corais são exemplos de relações harmônicas através de simbiose entre os pólipos, onde as pequenas algas chamadas de zooxantelas vivem dentro dos corais, absorvendo o nitrogênio e fósforo dos resíduos minerais excretados pelos corais e o dióxido de carbono transforma em oxigênio. Quando o coral morre permanece o pólipo calcáreo, que possibilita servir de base para novos corais. O zooplâncton supre 5 a 20% das necessidades das zooxantelas.
Estima-se que os recifes de corais tenham em média cerca de 15.000 anos em formação, tendo surgido após o último período glacial, quando o nível do mar subiu, inundando quase 100 km da plataforma continental.
Existem aproximadamente 600.000 km2 de corais no mundo, dos quais 350.000 km2 se localizam na Austrália e formam o Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, com 2.000 km de extensão, composto por 2.000 ilhas e 3.000 colônias de corais e também uma espessura de 1.200 km entre a base vulcânica e a superfície.
As barreiras de corais, além da rica e bela flora e fauna, se constituem em uma proteção da costa, pois quebram a força do mar, minimizando a erosão marinha.

Classificação de Corais

Os corais são classificados conforme a localização em:

• Franja: Perpendiculares ao mar de águas rasas, próximos às praias;
• Barreira: Paralelos à costa, mas separados por lagos de água rasa e salgada;
• Atóis: Crescem ao redor de vulcões, que depois afundam, deixando-os à tona.

Flora e Fauna

São conhecidas no mundo mais de 350 espécies de corais, dentre os quais 18 são encontradas na costa brasileira, sendo que 8 espécies são consideradas endêmicas. Como exemplo, temos as espécies gorgonácea, chifre-de-veado, alga verde, anêmona, margarida, sargaço, lírio do mar e cérebro
No Brasil, os recifes de corais estão distribuídos por cerca de 3.000 km da costa, desde o Maranhão até o sul da Bahia, ressaltando-se que são as únicas formações recifais do Oceano Atlântico Sul.
Nos corais habitam cerca de 30% das espécies marinhas existentes no mundo e 65% dos peixes. São inúmeras espécies como: Moréia, polvo, camarão, estrela-do-mar, ouriço-do-mar, siri, caracol, lesma do mar.

Destruição dos Corais

Estima-se que aproximadamente 60% da área de corais existente no mundo ameaçada, sendo que 10% está irremediavelmente destruída e outros 20% seriamente comprometida. Tal fato se deve principalmente à pesca predatória, circulação e ancoragem de embarcações, retirada de corais para a comercialização e o turismo desordenado. Outra causa de destruição vem da contaminação decorrente dos pesticidas utilizados em lavouras, que atingem os corais carregados pela correnteza dos rios.
Merece registro o fenômeno de branqueamento dos corais, causando muitas vezes a morte. Tal condição tem origem no aquecimento global, o que provoca um aumento da temperatura da água ( acima de 280 C ) e aumento da fotossíntese e liberação de toxinas, causando um desequilíbrio do ecossistema.

Exemplos:

• Com o propósito de construir o Porto de Suape, no litoral sul de Pernambuco, foi cometido um crime ambiental de grandes proporções, com a destruição e aterro de manguezais e a dinamitação de recifes de corais. Tal fato causou significativo impacto no ecossistema, considerando inclusive o aumento dos ataques de tubarões nas praias dos municípios de Jaboatão dos Guararapes ( praias de Piedade e Candeias ) e Recife ( praia de Boa Viagem ). Como agravante, na mesma região de Suape, no lado oposto ao porto, foi construído um hotel que destruiu grande parte do manguezal. Navegando pelo estuário do rio e conversando com habitantes locais pode-se dimensionar o significativo dano causado e que ameaça a sobrevivência das espécies marinhas e dos pescadores.
• O turismo desordenado e a coleta de espécies de corais, praticado principalmente em localidades com grande fluxo turístico, como Porto de Galinhas e Maragogi, tem sido fator de preocupação e desenvolvimento de ações dos órgãos ambientais, observando-se que, em algumas partes os danos são considerados graves e até irremediáveis.
• No litoral de São José da Coroa Grande, especialmente na localidade denominada “Prainha” e também nas proximidades, a visitação turística sem qualquer ordenamento tem agravada a destruição dos corais. Outros pontos onde são observados problemas são nas fozes dos rios, especialmente do Rio Persinunga, que serve de divisa entre os estados de Pernambuco e Alagoas, grande parte em decorrência de modificações na foz executadas por proprietários de residências na margem do rio.

APA Costa dos Corais

Área de Proteção Ambiental – APA é uma categoria de unidade de conservação ambiental onde são conciliados os interesses ambientais e econômicos. A gestão da área tem como base suas características ambientais, a partir das quais são definidas normas de convivência entre os ecossistemas e as atividades antrópicas.
A Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais foi criada por decreto federal em 23 de outubro de 1997, com o objetivo de proteger a diversidade de vida e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da região costeira entre os rios Formoso (Tamandaré – PE ) e Meirim ( Paripueiras – AL ), contemplando recifes de corais, praias e manguezais.
A área abrange um total de 413.563 hectares, distribuídos em 135 Km de costa de 13 municípios, adentrando 18 milhas náuticas do oceano Atlântico. É a maior unidade de conservação marinha do Brasil.
O Projeto Recifes Costeiros é o resultado do esforço conjunto do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, do Centro de Pesquisa e Gestão dos Recursos Pesqueiros do Litoral Nordeste – CEPENE/IBAMA e do Centro de Mamíferos Aquáticos – CMA/IBAMA, sendo financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e administrado pela Fundação Mamíferos Aquáticos – FMA ( ver excelente conteúdo no site www.recifescosteiros.com.br, que fundamentou este texto e tem nos seus responsáveis grandes colaboradores do Museu do Una ).

Objetivos

1. Garantir a conservação dos recifes de corais coraligenos e de arenito, com sua fauna e flora
2. Manter a integridade do habitat e preservar a população do peixe-boi marinho
3. Proteger os manguezais em toda a sua extensão, situados ao longo das desembocaduras dos rios, com sua flora e fauna
4. Ordenar o turismo ecológico, científico e cultural, e demais atividades econômicas compatíveis com a conservação ambiental
5. Incentivar as manifestações culturais e contribuir para o resgate da diversidade cultural regional

Atividades

As atividades do Projeto Recifes Costeiros são extremamente relevantes, devendo ainda ser ressaltados os programas de educação ambiental desenvolvidos, abrangendo palestras em escolas e edição de folhetos, conforme reprodução de texto:

Implantação dos Conselhos Municipais do Meio Ambiente – COMDEMAS

Tem como objetivo a preservação da natureza e a melhoria da qualidade de vidas da população, através do processo de gestão ambiental.

Pesquisas

Para contagem de animais marinhos, levantamento de pesca artesanal, mapeamento dos recifes e estudos sobre o avanço do mar e efeitos da ocupação inadequada

Experimentos de Manejo

Para propor medidas de proteção e recuperação ambiental e ordenamento das atividades humanas, sendo as principais:

1. Áreas de recuperação de recifes de coral, com a definição de áreas proibidas para a pesca e atividades náuticas e de turismo
2. Ordenamento da pesca, com o cadastramento dos pescadores, controle de capturas e zoneamento das artes de pesca praticadas na região.
3. Ordenamento do turismo, com a limitação de embarcações, orientação dos turistas, instalação de bóias de sinalização e monitoramento e fiscalização.
4. Educação ambiental, com realização de cursos, palestras, oficinas, eventos e produção de material educativo.

Os Recifes de Corais

Os recifes de corais tem como características

• Protegem a costa contra a ação erosiva dos mares
• São sensíveis às variações de temperaturas
• São a base de sobrevivência de espécies, inclusive pelágicos, que não vivem nos corais
• Crescem verticalmente de 0,2 a 8mm/ano
• Os moluscos e caranguejos se alimentam dos corais ou seu muco

Recifes de Arenito

• No Brasil se localizam entre Recife e Maceió, sendo a superfície coberta pelo zoantideo Palythoa e outras algas calcáreas. Dentre as 18 espécies de corais pétreos conhecidos no Brasil, 9 encontram-se nestes recifes.

Recifes de Algas Calcáreas

• As algas tem fundamental função de proteção e aderência/cimentação dos organismos marinhos, podendo ter crescimento vertical de 0,3 a 10mm/ano e ramificação de 8 a 20mm/ano. No Brasil, os recifes de algas calcáreas se encontram no nordeste e no único atol do atlântico sul, o atol das rocas.