COLÔNIA DE PESCADORES - Z9

História

A Colônia de Pescadores Z 9, que abrange o município de São José da Coroa Grande, foi fundada em 1922, tendo como primeiro presidente José Pitágoras. Depois vieram José Gomes Moreira, Tertuliano Alves da Silva, Antônio Jerônimo, José Domingos Gomes e Josias Freire, entre outros.
Em junho de 2003 era presidente Heleno Caetano da Silva, época que existia 560 associados, considerando os sócios patrimoniais ( pescadores ) e contribuintes ( outras pessoas da comunidade ), sendo 434 homens e 126 mulheres.

A Pesca

Conforme pescadores experientes, até final da década de 1990 uma boa pescaria significava 1.000 kg de peixe ou 100 kg de cauda lagosta, mas nota-se uma perda de produtividade nos últimos tempos em torno de 50%.
Na pescaria, para identificar o autor, o peixe é marcado tão logo pescado. O mestre corta do rabo inteiro, o contra-mestre um dos rabos, um dos parceiros os dois rabos e o outro a testa, sendo a pescaria de peixe é realizada mais afastada da costa.
A pesca da lagosta é feita nas proximidades da costa, com a utilização de covos, rede ou mergulho. O mergulho livre é praticado até 6 metros, enquanto que o mergulho utilizando compressor pode ser feito até cerca de 20 metros. Conta a história que foram vítimas fatais de mergulhos utilizando compressor os pescadores Gil e Marcos, tendo outros ficado com seqüelas.
Objetivando compensar a época do defeso da lagosta, de janeiro a abril, os pescadores inscritos em tal atividade recebem uma ajuda do governo federal no valor de um salário mínimo.
Uma condição crítica que merece registro em uma pescaria é a quebra do motor do barco, passando o retorno à costa a ser feito utilizando uma vela improvisada, significando maiores riscos de navegabilidade, desabastecimento de água e alimentos e acidentes quando da entrada da barra, além de problemas na conservação do pescado.

Tripulação e Mantimentos

A tripulação de uma embarcação de pesca é composta por mestre, contra-mestre e parceiros, que são pescadores.
Entre os mantimentos que levam para o mar estão farinha, charque, feijão e óleo, que são guardados em caixotes, sendo a água potável transportada em botijões de 60 litros, tomando-se como base um botijão/pescador para cada 7 dias, considerando-se que geralmente passam 7 dias no mar para a pesca de peixe e 10 dias para a pesca da lagosta.
Observa-se ainda que não é permitida nos barcos de pesca qualquer bebida alcoólica e que a pesca das mulheres ficam restritas às jangadas e nos recifes de corais.
A pescaria e alguns mantimentos são conservados no gelo em barras ou flocos, acondicionados em sacos, que são transportados até o barco e colocados em um compartimento denominado de na urna, revestida de isopor, com capacidade de 600 a 1200 kg.

Pescadores

No ramo da pesca, e assim não poderia deixar de ser na Colônia Z9, todos os pescadores tem apelidos, inclusive a secretária da Colônia Maria Laudenice Bispo de Oliveira, a Nil.
Em um pequeno apanhado, foram lembrados os pescadores José Genival da Silva ( Nego Geno ), Manoel dos Santos ( Bujão ), José Luiz da Silva ( Major ), José Martins ( Pirão ), Amaro Joaquim ( Naninho ), Manoel Joaquim (Cocota), Lindomar Rodrigues de Barros ( Linda ), Elinaldo Lima Lopes ( Nal ), João Martins da Silva ( Carrocel ), José Amaro da Silva (Zé Garrancho ), José Afonso Muguel ( Sirigueiro ), José Severino da Silva ( Contente ), Bentolina Maria de Oliveira (Bel ) e José Bernadino ( Zé da Veia ).

Barcos de Pesca

Os barcos pesqueiros construídos em madeira e tem uma vida útil média de 30 anos, se bem conservados, em geral com comprimento de 8 a 12 metros, boca de 2,70 a 3,60 metros e capacidade de carga de 800 a 5.000 kg.
Na motorização são utilizados motores diesel de centro de 1 a 6 cilindros, que consomem em média de 5 a 12 litros de óleo diesel / hora. Sendo o transporte e armazenamento de óleo diesel feito em bombonas de 50 a 100 litros.
Na construção são utilizadas ferramentas como: enxó, formão, serrote, serrotão, martelo, furadeira, lixadeira, plaina, compasso, grampo e pé-de-cabra, por exemplo.
As madeiras utilizadas são: sucupira, ipê e jatobá para quilha e cavername; piquiá, louro, tatajuba e cedro para convés e entaboado e compensado naval para cabine. Para a calafetação é utilizada estopa de imbiriba, embebida em uma mistura de cal e óleo vegetal.
Dentre os barcos de pesca registrados em 2003 estavam: São José I a XI, Missão IV e V, Cobra d´Água, Saturno, Netuno, Urano, Monte Sinai, Fera Radical, Frei Luiz, Parati, Capitão do Mar I, Castelinho, Topázio, São Joaquim, Gino, Lacraia, Joça, Reencontro I e II, Zuleide I, Garcia e Chan-Grilá. O barco de turismo do gaúcho Bira chamava-se Chimarrão.

Estaleiro de Várzea do Una

O estaleiro de Várzea do Una é conhecido como o Estaleiro do Mestre Zuza, tendo este começado a construir barcos em 1974, quando comprou sua primeira máquina, uma serra de fita de 60 cm. Depois vieram desempenos de 60, 80 e 220 cm.
Registra-se que o primeiro barco tinha 10 metros e foi construído para Sivuca. Lembra o Mestre Zuza que no início as taboas eram contadas com machado, serrote e serrotão, sendo necessário entre 10 e 12 meses para construir um barco, tempo que foi reduzido para 3 a 4 meses no ano 2003
O Mestre Zuza fez escola e transformou a vila de Várzea do Una em um pólo de carpintaria naval do nordeste.